Procura de casa na Europa vai continuar intensa, diz o BCE
De acordo com o Banco Central Europeu (BCE), a procura de imóveis deverá manter-se em níveis elevados nos próximos meses, com base no facto de 4,5 por cento das famílias estarem a planear comprar num futuro próximo.
“A decisão das famílias de comprar casa depende de muitos fatores, incluindo a sua estabilidade laboral e situação financeira, os seus rendimentos e ativos, as suas expectativas quanto ao nível geral dos preços das casas e as condições dos empréstimos hipotecários”, afirma um relatório de Christine Lagarde, presidente do BCE.
O relatório prosseguiu afirmando que “a intenção de comprar casa varia consoante o rendimento das famílias”. Os dados mostram que esta intenção é muito maior entre as famílias com rendimentos elevados – cerca de 6,5 por cento –, enquanto para os agregados familiares com rendimentos mais baixos, o resultado é inferior à média, situando-se abaixo dos 4 por cento.
“As famílias com rendimentos mais elevados têm muito maior probabilidade de manifestar a sua intenção de comprar casa e, por conseguinte, tendem a sustentar mais a procura de habitação”, salienta o boletim económico do BCE. Além disso, “a dinâmica esperada dos rendimentos também desempenha um papel importante nas decisões de investir numa casa: os inquiridos que pretendem comprar casa nos próximos 12 meses tendem a ter expectativas de crescimento do rendimento consideravelmente mais elevadas do que aqueles que não planeiam fazê-lo”.
A poupança das famílias – que está nos níveis mais elevados em Portugal – também influencia a decisão de comprar casa. De acordo com as conclusões do BCE, as poupanças acumuladas pelos cidadãos durante a pandemia “poderão continuar a impulsionar a procura de habitação no curto prazo”, uma vez que cerca de 44 por cento das famílias comprometidas com a poupança afirmam ter “o desejo de poupar dinheiro suficiente para fazer uma grande compra no futuro (como uma casa ou um carro)”.
Procura elevada
Existem ainda outras razões que sugerem que a procura de aquisição de casa própria continuará a aumentar no futuro previsível. Para além da poupança das famílias, o BCE sublinha também que o segmento da habitação se tornou cada vez mais atrativo para investir. Há também expectativas positivas de que os empréstimos hipotecários continuem a apresentar condições favoráveis e convidativas para as famílias – com taxas de juro em mínimos históricos.
Embora a procura ajude a inflacionar os preços das casas, o BCE alerta que a previsão para a evolução dos preços da habitação tem sido “muito superior ao crescimento esperado dos rendimentos das famílias”.
O Fundo Monetário Internacional destacou recentemente que “os preços das casas cresceram mais rapidamente do que os salários em mais de metade dos 35 países” que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). No caso de Portugal, os preços das casas subiram mais rapidamente do que os rendimentos das famílias, originando potenciais problemas para as famílias de baixos rendimentos que procuram aceder ao mercado da habitação.the ECB warns that the forecast for the evolution of house prices has been “much higher than the expected growth in household incomes”.
The International Monetary Fund recently highlighted that “house prices have grown faster than wages in more than half of the 35 countries” that make up the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD). When it comes to Portugal, house prices have risen faster than household incomes leading to potential problems for low income families looking to access the housing market.